04 maio 2010

O que há em mim é sobretudo cansaço


O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas.

Essas e o que faz falta nelas eternamente;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço, Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo, Cansaço...


Poema de Álvaro de Campos
Foto de Luciana londrina em "Olhares"

2 comentários:

armalu disse...

Para ti em vez de cansaço te deixo o meu abraço, é lindo o teu texto. foi só uma brincadeirinha,tá?!bj

*MARCIA E CARLOS* E LINDAS MENSAGENS disse...

oi passei pelo seu cantinho e gostei muito e me tornei sua seguidora parabens voltarei mais vezes neste encanto que é seu blog.se vc quiser logico me fazer uma visitinha ao meu cantinho ficarei muito feliz com sua presença bjos e tenha um inicio de semana cheio de alegrias
MEU BLOG: http://marciacarlos.blogspot.com/