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11 julho 2014

Receitas Low-Cost



Filipa Vacondeus dispensa apresentações, pelo menos em Portugal. Esta cozinheira autodidacta é bem conhecida da TV, dos livros e a sua simpatia aliada à simplicidade de carácter cativa-nos.

Este livro, "Receitas Low cost", é o meu investimento mais recente em livros e espero tirar bom partido dele, pois é bastante adequado aos tempos de crise que se vivem. Quando o tempo é pouco e o orçamento familiar tem de ser apertado, as receitas que a autora apresenta são uma "lufada de ar fresco". Temos sugestões de refeições baratas, para cozinhar rapidamente em casa e apreciar o sabor da comida portuguesa caseira.

Ao longo de 233 páginas, são explicadas duas centenas de receitas económicas e fáceis de confeccionar em casa devido à sua simplicidade. Não pense que falta variedade, porque podemos confeccionar: Sopas, Saladas, Açordas, Pizzas e Pães. Depois, também há capítulos para Ovos, Peixe, Marisco de casca, Vaca, Borrego, Porco. Não esquecendo os Legumes, Batatas, Arroz.  Mais no fim, ainda se pode ler algo sobre os vários tipos de Queijos Portugueses e saber onde usar algumas Ervas Aromáticas.
E tudo isto para se comer de forma simples e saborosa com um custo por pessoa inferior a 2€.  É obra de mestre!

O livro é bem encadernado, tem uma fitinha marcadora de página, mas não tem muitas fotos, o que me deixa um pouco desanimada. Gosto muito de receitas com foto, porque os olhos também ajudam a "comer" e a receita fica mais completa com ilustração, mas parece que a intenção foi minimizar custos de produção. Mais uma vez, não compreendo! A economia na produção não se reflete no preço de venda ao público (esta edição de 2009 custou-me 16 euros e tal).  Resta-me confiar no talento e na experiência da Filipa Vacondeus, para considerar este investimento lucrativo.

Na livraria e bem mais destacado, está  "Os Petiscos da Filipa", o seu livro mais recente, que me pareceu tentador, mas fica para outras aventuras.

Até breve!
Bjs





P.S.  Parece que este ano, na Feira do Livro em Lisboa, este livro teve destaque promocional por um dia e chegou a ser vendido a 10€.
Assim está bem melhor!!!!  
:-)

27 junho 2013

As Luzes Brancas de Paris


" O futuro torna-se um abismo. Não pensava nele, não acreditava em nada. O mundo morria todas as noites, renascia todas as manhãs."




Este livro retrata a luta que uma família da alta sociedade trava para saír da pobreza gerada pela entrada da Rússia na guerra.

Em Fevereiro de 1917 os campos estão abandonados, porque os homens foram recrutados para a guerra. A escassez de alimentos e a fome apodera-se da população campestre que se revolta contra os burgueses que vivem resguardados no interior dos seus belos palacetes (Revolução Bolchevique).
A violência na cidade de Petrogrado atinge níveis inimagináveis e a família Ossoline vê-se obrigada a procurar um lugar mais seguro para viver. Quando sente na alma a dor do cruel assassinato do seu pai, Xénia, a filha mais velha do casal Ossoline, vê-se forçada a iniciar uma fuga muito perigosa, mas emergente. De si, dependem as vidas dos irmãos mais novos e da sua frágil mãe.

É também um retrato da sociedade europeia durante o periodo nazi. Entre Berlim e Paris, sente-se o pulsar da moda, a emancipação feminina, a ascenção de Hitler, a perigosa convivência com os nazis, o cerco aos judeus, a deshumanização da sociedade.

Theresa Révay (a autora do livro) tem uma narrativa impressionante, dura, cruel e tão envolvente que o leitor sente a constante necessidade de saber como e quando encontrará Xénia a paz que tanto procura, o amor que tanto deseja, a vida que merece. É possível que termine esta leitura com uma grande admiração pelo caracter de Xénia Ossoline, a russa que não se resigna.

Patriotismo.
Dignidade
Amor


04 julho 2012

Sem Dizer Adeus

Sem conhecer o autor, aventurei-me nas páginas deste livro que se encontrava na estante à anos. Sinceramente, não sei porque adiei esta leitura tão interessante. 
É mistério do princípio até ao fim!




Depois de uma noite conturbada, da qual pouco se lembra, a adolescente Cynthia Bigge, acorda ressacada no seu quarto e descobre que está estranhamente sozinha em casa: os seus Pais e irmão desapareceram sem deixar rasto. Partindo daqui, podemos imaginar muitos caminhos interessantes para a narrativa, mas o que Linwood Barclay tomou é surpreendente. Nesta história intrigante e muito bem encadeada, a pergunta que se impõe é: "Estarão vivos ou mortos?"

"Sem dizer Adeus" vale todo o tempo que lhe puderem dedicar!

Quanto ao autor, Linwood Barclay, vive em Toronto e tem uma coluna muito popular no Jornal "Toronto Star". Não era muito conhecido internacionalmente, até editar este livro que se tornou um best-seller.

Boas leituras!

14 outubro 2009

O Tigre Branco

Li sobre este livro na Academia de Livros e achei que a narrativa poderia ser interessante, por isso adicionei-o à minha lista de “livros a ter em conta”. (Devo dizer que esta lista é tão extensa e desordenada que não acreditei ser possível lê-lo tão depressa!) Mas quando entrei na livraria com intenção dar uma “vista de olhos” ele estava lá à minha espera. Li as primeiras páginas por curiosidade e o entusiasmo que senti é difícil de explicar.



A Índia é um país muito enraizado numa cultura tão sua e tão diferente da nossa que fascina e cativa facilmente a atenção, mas nem tudo é bem o que parece. Como este livro pretende ser um “espelho da verdade” resolvi acreditar em Aravind Adiga e ler o livro que ele escreveu com o objectivo de mostrar a verdadeira Índia.

Balram Halwai, mais conhecido por Munna (rapaz), ouve na rádio o anuncio de que o Primeiro-Ministro chinês vem visitar a Índia e decide escrever-lhe sete cartas contando a história da sua vida. É a
través deste relato que pretende mostrar os dois lados da Índia: a Escuridão e a Luz.Balram esclarece que a Índia tem duas caras e sabe que as autoridades indianas não vão revelar ao seu ilustre visitante tudo o que acontece na sua nação. Ele sabe muito bem só lhe vai ser mostrado o lado mais bonito e fascinante da Índia (a Luz), por isso escreve sobre as suas origens na Escuridão, a família numerosa, as condições de vida, a casta, o comportamento social, a educação, a religião e o Rio Ganger.

É uma história de sobrevivência contada na primeira pessoa e exemplificada com acontecimentos pessoais onde a desigualdade, a injustiça e sobretudo a desumanização estão demasiado presentes.
Ao fim de algum tempo ficamos a saber que ele é um “Tigre Branco”.
- Tigre Branco?
- Sim, um tigre muito raro que nasce de tigres comuns.


Para finalizar, transcrevo um pequeno trecho do livro que chama a atenção do Mundo para a potência económica da China e da Índia:
“Por uma questão de respeito pelo amor à liberdade demonstrado por parte do povo chinês, e também na convicção de que o futuro do mundo cabe ao homem amarelo e ao homem castanho, agora que o nosso amo de outrora, o homem de pele branca, definhou à práctica de sodomia e à utilização abusiva de telemóveis e de drogas, prontifico-me a contar-lhe (...) a verdade a respeito de Bangalore.”

(Bangalore
- É a capital tecnológica da Índia, onde se situam mais de 1500 empresas e instituições de pesquisa científica e tecnológica.)



11 abril 2009

A Herança Bolena

O fio condutor deste e de outros romances de Philippa Gregory é a história real de Inglaterra, pelo que muitos leitores já sabem de antemão o destino das personagens. Então, é legítimo que nos interroguemos acerca do seu sucesso, não é? Qual será o segredo da autora? Os seus livros são best-sellers, mas, porquê?

A Publishers Weekly respondeu a esta questão assim:
“Rica em intriga e ironia, esta é uma história em que o leitor já sabe quem se divorciou, quem foi decapitado e quem sobreviveu, mas apreciará a inteligente adaptação de Gregory do como e porquê.”

E é mesmo verdade, apesar de já conhecer o destino de todas a esposas do Rei Henrique VIII de Inglaterra, não resisto à leitura de mais um livro da Philippa Gregory.
É certo e sabido que quando se estuda a história de um país, normalmente, faz-se uma resenha dos acontecimentos sociais, políticos e religiosos. Não dá para ser mais aprofundado, porque os acontecimentos são muitos e a distância temporal é cada vez mais longa, pelo que alguns pormenores menos importantes perdem-se pelo caminho, e é precisamente aqui que esta escritora ganha pontos. Ela foca um determinado período da história, normalmente curto, e dá alma e coração às personagens.
Por exemplo, sabemos que algumas pessoas foram condenadas à morte, mas o que pensaram antes de deitar a cabeça no cepo?

E a consciência de quem testemunhou e/ou conspirou contra elas, como ficou?

É precisamente nas respostas a estas perguntas que reside o encanto de ler os livros de Philippa Gregory. Ela humaniza as personagens recorrendo a uma investigação histórica bastante minunciosa.



A Herança Bolena” é o seu penúltimo best-seller editado em Portugal pela Civilização Editora. Este romance conta a história de três das mulheres que passaram pelo leito de Henrique Tudor (Rei Henrique VIII de Inglaterra), e de Jane Bolena, uma serva que é chamada de volta à corte para gerir os aposentos da nova Rainha. Henrique VIII ficou conhecido na história como o Rei que casou seis vezes, porque se tornou uma pessoa obcecada pelo desejo de ter um filho varão. Era um homem caprichoso e muito ambicioso. Vivia na ânsia de gerar um herdeiro que o sucedesse no trono, mas para conseguir anular o seu primeiro casamento, precisava de obter o controlo total do seu País. Perseguiu os papistas para se tornar na “vontade de Deus na terra”. Assumiu o título de Chefe da Igreja, para se poder casar e descasar sem pedir o consentimento do Papa. Quando se tornou Chefe Supremo da Igreja, submeteu tudo e todos aos seus caprichos. Até os seus apoiantes vivam amedrontados e na incerteza. A sua desconfiança era constante e a crueldade do Rei parecia não ter limites. Durante o seu reinado muita gente foi injustamente condenada à morte, tal não era a loucura do Rei.
Com o poder total nas mãos, Henrique VIII (1491-1547) não olha a meios para conseguir o tão desejado filho varão. Além das muitas amantes que a história lhe atribui, casou com Catarina de Aragão, Ana de Bolena, Jane Seymor, Ana de Cléves, Catarina Howard e Catarina Parr.

Neste romance, a escritora concentra-se em Ana de Bolena, Ana de Cléves e Catarina Howard. Pelo meio e servindo como elo de ligação entre as esposas do Rei, o importantíssimo testemunho de uma mulher amargurada, Jane Bolena, que serviu muitos anos nos agitados aposentos da Rainha (a julgar pelo numero de casamentos do Rei e não só). Esta serva movimenta-se na corte com sabedoria e experiência, privou com quase todas as Rainhas e chegou a ser cunhada do Rei. Esta é a mulher que conhece o preço d’A Herança Bolena.



Um romance histórico com tudo aquilo a que tem direito: conspiração, intriga e paixão!


Uma breve apresentação das personagens recorrendo à wikipédia.
Henrique VIII (1491 - 1547)

Catarina de Aragão (1485 - 1536)


Jane Seymor (1509 - 1537)


Ana de Bolena (1500 - 1536)


Ana de Cléves (1515 - 1557)

Catarina Howard (1520/25 - 1542)


Catarina Parr (1512 - 1548)

De Jane Bolena não consegui encontrar imagens na net, nem pesquizando pelo seu nome de família. (Jane Parker tornou-se Jane Bolena ao casar com George Bolena, irmão de Ana e Maria de Bolena).


Sobre a autora:

Philippa Gregory nasceu no Quénia em 1954, mas mudou-se com a família para Bristol - Inglaterra, quando tinha 2 anos. Frequentou na Universidade de Sussex um Curso de Iniciação à História que viria a mudar a sua vida.
É doutorada em Literatura do Século XVIII pela Universidade de Edimburgo e os seus romances reflectem uma pesquisa e um pormenor histórico meticulosos. O seu periodo favorito da História é a epoca Tudor, sobre a qual já escreveu vários romances, alguns dos quais já foram adaptados pela BBC a dramas históricos.
Não deixem de visitar a seu site oficial (em inglês).

10 março 2009

História do Rei Transparente




“Sou mulher e escrevo. Sou plebeia e sei ler. Nasci serva e sou livre. Vi na minha vida coisas maravilhosas. Fiz na minha vida coisas maravilhosas. Durante algum tempo, o mundo foi um milagre. Depois a escuridão voltou. “

São as primeiras linhas da "História do Rei Transparente" de Rosa Montero. Quando as li às uns meses atrás na Academia dos Livros fiquei com a curiosidade bastante aguçada. Tive uma vontade imensa de conhecer a mulher que escreve assim e, felizmente a oportunidade surgiu e cá está a minha opinião sobre o livro.

França – Século XII

A narrativa é feita na primeira pessoa. Leola conta-nos a história da sua vida desde os tempos de plebeia até ao momento em que escreve este livro. É uma camponesa que, num momento de inesquecível crueldade e tristeza, perde o seu lar. A sua família (pai, irmão e namorado) são levados à força pelos "cavaleiros de ferro", porque são precisos homens nas batalhas sangrentas, além do mais, naquela época quem por lá morre é homem honrado. (A história decorre na época medieval).
Leola vê-se então sozinha e abandonada. Ela vive numa época violenta onde as mulheres são um elo muito fraco e dependente de protecção masculina, sente-se em perigo e sabe perfeitamente que enquanto estiver sozinha é presa demasiado fácil, por isso "rouba" as roupas de um jovem cavaleiro morto num terrível combate e espera que a armadura de ferro a ajude a esconder a sua aparência feminina. Leola é corajosa, determinada e inteligente. Ela sabe que o seu disfarce não durará por muito tempo, por isso parte sem demoras em busca dos seus familiares. A caminhada que inicia é uma aventura longa, perigosa e surpreendente. O mundo é cruel, os tempos que se vivem são violentos, mesmo para um homem, quanto mais para uma mulher vestida de homem. Leola tem de aprender a usar as armas, a lutar como um homem, a viver como um homem para sobreviver.

O relato da sua vida peregrina é emocionante e muito intimo, a autora "esconde-se" na personagem principal e dá-nos a conhecer os seus pensamentos, os seus sentimentos, as suas emoções. A escrita é tão intimista e directa que o leitor sente-se imediatamente na pele de Leola, a camponesa que se faz mulher guerreira para sobreviver numa sociedade carente de quase tudo, um mundo cruel, desequilibrado, desgovernado e acima de tudo injusto.

Na escrita de Rosa Montero não há rodeios desnecessários. O fio da meada vai-se desenrolando com palavras sábias de onde transparece um profundo conhecimento da sociedade medieval.
Esta leitura valeu cada minuto...
Ainda sobre a autora:
Rosa Montero é espanhola, estudou Jornalismo e Psicologia.
Trabalha exclusivamente para o jornal El País.
Em 1980, ganhou o Prémio Nacional de Jornalismo.
Escreveu vários romances que estão traduzidos para português:
1995 – Histórias de Mulheres
1997 – A Filha do Canibal
1998 – Amantes e Inimigos
1999 – Paixões: Amores e Desamores que mudaram a História
2001 – O Coração do Tártaro
2003 – A Louca da Casa
2005 – História do Rei Transparente

06 fevereiro 2009

O Codex 632



A American History Foundation contacta o Prof. Tomás Noronha e propõe-lhe que conclua a investigação que o Prof. Toscano fazia antes de morrer inesperadamente. Para Tomás, um jovem professor na Universidade Nova de Lisboa especialista em paleografia e criptologia, esta é uma oportunidade muito boa, tanto em termos financeiros como do ponto de vista profissional, mas as coisas nem sempre são o que parecem. Tomás descobre que no decorrer da sua investigação o Prof. Toscano havia descoberto algo muito importante sobre as origens do grande navegador das descobertas: Cristóvão Colombo. É assim que começa uma grande aventura que passa por vários países em busca do que realmente aconteceu na época dos descobrimentos.

Ao longo do livro são muitas as referências a autores, livros e documentos históricos, em determinada altura é um pouco maçador, mas é interessante saber que todos estes documentos existem realmente e que estão mesmo guardados nos locais que Tomás visitou, são genuínos e tão reais como o mistério que envolve as origens de Cristóvão Colombo. Lamento apenas um certo repetivismo na explicação de algumas teorias

Confesso que quando li o1º capítulo e me deparei com a descrição da morte inesperada do Prof. Toscano pensei que este livro fosse uma "imitação" do livro de Dan Brown "O Código de Davinci", mas "O Codex 632" segue por trilhos mais históricos que misteriosos, o que faz deste livro uma obra mais interessante, pois apresenta mais provas que suposições. Quem gosta de decifrar charadas e enigmas vai encontrar bons desafios.

Valeu a pena conhecer o Tomás, que além de ser um excelente historiador, é também chefe de uma família muito especial, ainda que a sua vida particular seja relegada para segundo plano ao longo de quase todo o romance.

Sobre o autor:
José Rodrigues dos Santos é professor universitário e jornalista na RTP.
Já publicou vários romances best-sellers.
Para escrever este livro, inspirou-se numa obra do historiador Augusto Mascarenhas Barreto: "Cristóvão Colombo - Agente Secreto de El Rei D.João II".

"O Codex 632" encontra-se editado em Portugal, Brasil, Espanha, Itália e Reino Unido.


27 dezembro 2008

A Vida Num Sopro




Acabei de ler “A vida num sopro” de José Rodrigues dos Santos e posso dizer que fiz uma bela viagem no tempo. Recuei ao ano de 1929 para conhecer Luís, um jovem transmontano que estuda no liceu de Bragança e que se apaixona por Amélia, uma menina de olhos cor de mel.


Este livro tem como base a história de amor entre Luís e Amélia, dois jovens estudantes cujo amor vai crescendo e enfrentando muitas dificuldades. De inicio a mãe de Amélia opõe-se ao relacionamento da filha, depois a vida vai pregando algumas partidas: separações, reencontros, surpresas, um crime, as teias de PVDE, a Guerra Civil Espanhola, enfim, vicissitudes próprias dos tempos conturbados que se viviam na altura.

Eu sei que quando se aconselha a leitura de um livro não se deve dizer muito, mas gostei tanto de ler este livro que não resisto a contar mais um pouquinho. Não vou contar a história, porque isso José Rodrigues dos Santos faz com mestria no livro, vou só relembrar os mais “distraídos” que os anos 30 foram muito agitados, em termos político/sociais. António de Oliveira Salazar tentava organizar Portugal, impondo a ordem e o respeito, para isso contava com a ajuda da pevide… cof … cof, quer dizer, PVDE (Polícia de Vigilância e Defesa do Estado) cuja missão era silenciar a vozes opositoras do governo cof… cof… cof, desculpem, cujo objectivo era fazer cumprir a lei da moral e dos bons costumes.
Mas convém salientar que este livro é, acima de tudo, um retrato social de Portugal entre 1929 e 1939. São espectáculos no Parque Mayer e filmes no São Luíz Cine, são vidas que se cruzam, emoções que se vivem.
Um romance para ler com prazer!


Sobre o autor:
José Rodrigues dos Santos nasceu em Moçambique, actualmente é professor na Universidade Nova de Lisboa, também é jornalista e apresentador do Telejornal na RTP. Já trabalhou na Rádio Macau, na BBC e foi colaborador permanente na CNN. É um dos jornalistas portugueses mais premiados e já publicou seis romances.

21 setembro 2008

Ratos e Homens

Foi com boa disposição que descobri num hipermercado grandes clássicos de literatura a preços super convidativos. Claro que não pensei duas vezes e trouxe para casa algumas obras que só conhecia de nome e à muito tencionava ler. Provavelmente não as comprei há mais tempo porque a oportunidade nunca se havia apresentado de forma tão acessível.

"Ratos e Homens" de John Steinbeck, é uma leitura que se faz rapidamente pois trata-se de uma história interessante contada em 114 páginas.







É uma narrativa de vidas solitárias povoadas por amizade e ambição.

George e Lennie percorrem o solo americano à procura de trabalho, mas em plena época de recessão americana (anos 30 do século XX) tudo o que conseguem encontrar é trabalho sazonal e mal pago. Vivem em condições de pobreza alimentando o sonho de comprar uma quinta onde possam viver os dois em paz, sem patrões e “criando coelhos de sobra para comer e vender”. É com esta ambição que trabalham e guardam o dinheiro.

George é um indivíduo magro, baixo, de cara morena, olhos vivos e bastante esperto, enquanto que Lennie é precisamente o oposto: tem a inteligência e a ingenuidade de uma criança e é tão corpulento que facilmente atrai atenções, além disso tem uma força superior à que seria de esperar num ser humano. Entre eles existe uma amizade de irmãos, George nutre um sentimento de protecção em relação a Lennie, pois comporta-se como o irmão mais velho que lidera e que toma as decisões mais importantes. Quando alguma situação exige força muscular, Lennie apresenta-se sempre orgulhosamente a seu lado. É uma relação equilibrada, pois a ignorância e a corpulência de um é compensada com a esperteza e a magreza do outro.

Ao longo da obra também vamos conhecendo outras personagens interessantes, cujos sonhos têm vindo a ser continuamente adiados por vicissitudes da vida, mas entre aventuras e desventuras o “sonho americano” vai persistindo. A realidade é que se mostra sempre inesperada e o relacionamento humano muito frágil.



Esta obra já foi adaptada ao teatro e ao cinema várias vezes, mas se calhar vale mais ler o livro! ;)
Beijinhos

03 setembro 2008

O Principezinho




Começo esta série de sugestões literárias com um livro de ouro. Ele é a base da minha vida, pois marcou-me a adolescência e moldou-me a vida. Estou a falar de um livro de Antoine de Saint-Exupéry: "O Principezinho". Foi publicado pela primeira vez e 1943 e é das obras mais admiradas do nosso tempo.

Esta obra é a mistura de um conto infantil com uma parábola para adultos que nos transporta para um ambiente de planetas, asteróides, vulcões, rosas e muitas outras personagens. Um pouco de ficção com um fundo de realidade, ou será o contrário?

O Principezinho é um menino tão ambicioso como qualquer um de nós, tem muita curiosidade e gosta de aprender, mas vive num pequeno asteróide (B612), onde tudo é familiar e previsível. Por isso decide fazer uma viagem para conhecer outras coisas e começa por visitar os planetas/asteróides vizinhos, terminando a sua viagem no 7º planeta: a Terra.

No seu percurso vai encontrando personagens tão diversas como, o rei autoritário, o vaidoso, o bêbado, o homem de negócios, o acendedor de candeeiros, o geógrafo... enfim, uma série de figuras tristes que vivem com a mente bloqueada e ainda não perceberam que "o essencial é invisível aos olhos".

No planeta Terra encontra quem lhe explique o que são "criar laços", e ao longo do livro o que não falta são lições de humanidade. Os diálogos exploram conceitos tão simples como a amizade pura, a lealdade e a dedicação.

Parece que disse tudo, mas acreditem que o livro é muito mais e lê-se num instante. Aconselho a leitura em diversas fases da vossa vida, é mesmo uma obra inteligente e intemporal.

Este Principezinho cativou-me!